À descoberta de vinho transmontano
Tenho por hábito, quando viajo, experimentar os produtos gastronómicos das regiões que vou visitar, escolhendo restaurantes locais que selecciono previamente, recorrendo a opiniões de amigos que por lá anteriormente passaram, ou a pesquisas na internet.
Dou tanta importância à componente gastronómica do passeio,
como às feiras e festividades, quando existem, às visitas a monumentos e
museus, ou ao usufruir de alguns momentos de tranquilidade, nesses locais, enquanto se saboreia
um café acompanhado de um qualquer doce regional.Recentemente, um passeio com amigos levou-me até ao Vidago, numa rota pelas reputadas águas da região, cuja frugalidade resolvemos combater com incursões pela boa carne barrosã e pelos enchidos e presuntos transmontanos. Quanto ao vinho, partimos com espírito de descoberta!
Achamento do vinho da Quinta de Arcossó
Foi logo no primeiro jantar no Vidago, que à habitual pergunta sobre quais os vinhos da região que recomenda, recebemos do empregado a indicação de que deveríamos escolher os vinhos da Quinta de Arcossó, a qual não distava muito do local onde nos encontrávamos.
Depois de analisadas as opções existentes, de seleccionada a ementa e tendo em atenção a elevada temperatura desse princípio de noite, optámos pelo Branco Reserva 2010, que nos surpreendeu pelos aromas e sabor frutado que todos reconhecemos permaneceu elegante e longamente na boca.
Apesar de ter uma percentagem de 20% de Moscatel Galego Branco (as restantes castas são 40% de Arinto, 20% de Côdega de Larinho e 20% de Alvarinho), esta casta não fica excessivamente presente no sabor do vinho, o que no meu caso considero positivo.
No almoço do dia seguinte, em Boticas, voltámos a ser aconselhados a escolher vinho da Quinta de Arcossó, tendo a nossa opção recaído no rosé, um excelente vinho, de cor invulgar,
elaborado a partir das castas Bastardo (90%) e Touriga Franca (10%).
Visita guiada à Quinta pelo proprietário
Foi com facilidade que chegámos ao contacto com o actual proprietário, que muito amavelmente nos esperou à entrada da vila de Arcossó, para nos conduzir à sua vinha e nos foi elucidando sobre a ancestralidade da produção de vinho na região, sobre as vantagens das características únicas do terreno e sobre o seu processo de produção de vinhos inteiramente artesanal.
Na adega, fomos provando, sempre com agrado, os diversos vinhos produzidos na Quinta, acompanhados pelas explicações pormenorizadas do Sr. Amílcar sobre as características dos mesmos, alguns ainda ausentes no circuito comercial.
Os tintos, que ainda não tínhamos experimentado, revelaram-se à altura dos brancos e rosés, especialmente o Tinto Superior Bago-a-Bago 2008 e o Tinto Reserva 2007.
Regresso com mala cheia
Como tudo o que é bom acaba depressa, os três dias que permanecemos na região do Vidago, esgotaram-se rapidamente, ficando, para memória futura, os momentos de convívio e as experiências com a gastronomia da região, apenas negativamente interrrompidos pelos sinais dos fogos que assolaram Boticas.
Sobre a nossa opinião acerca dos vinhos da Quinta de Arcossó, quer brancos, quer tintos, quer rosés, apenas podemos dizer que, enquanto estivémos na região, não mais precisámos de sugestões para escolha de vinhos e que, para prevenirmos eventuais dificuldades em os encontrar, na região de Lisboa, regressámos com a mala do carro cheia de caixas de todas as variedades.