Thursday, August 8, 2013

Vinho branco de uvas tintas



Invisível: difícil de encontrar


Sou habitual frequentador de um restaurante, para os lados de Campo de Ourique, em Lisboa, que trata bastante bem os saberes e sabores do Alentejo, mesmo os mais light.

Numa dessas vezes a escolha do vinho resultou de uma proposta do empregado, com o sugestivo nome de Invisível.

A primeira impressão foi de estranheza, dada a garrafa diferente no formato e na cor, mas a região era de qualidade sólida, Monsaraz, Adega da Ervideira.

Abrimos e a surpresa continuou: cor, cheiro e sabor diferentes. Ausência do tradicional Arinto. E continuou, pois a casta era Aragonez, normalmente usada para vinho tinto, logo era um vinho branco, feito com uvas tintas!

Gostámos bastante do seu sabor suave, que acompanhou muito bem aquelas amêijoas com a arroz de coentros ...

Continuamos a consumi-lo, muito embora por vezes faça jus ao nome e seja difícil de encontrar, pela exclusividade da sua produção, sendo também importante saber o preço adequado, pois tem "tendência" a variar de forma significativa.

O Invisível "mostra-se" como uma opção a partilhar, por ser diferente e por valer pela sua qualidade.

RM

Agosto | 2013

Tuesday, August 6, 2013

Vinho tinto com 17 graus


Um fenómeno do Douro 
 

Num fim de semana do ano passado, fui almoçar com uns amigos a um restaurante no Algarve que tem uma excelente garrafeira.

Quando observava as prateleiras de vinhos do Douro, chamou-me a atenção, em particular, uma garrafa. Para além da elegância do design, surpreendeu-me a graduação: 17 graus!

Confesso que desconhecia que fosse permitido engarrafar e vender vinho com essa graduação e, ainda, que fosse possível bebê-lo sem subverter todos os sentidos.

Não experimentei esse vinho ao almoço por razões de segurança. Afinal estava a 250 Km de Lisboa e queria chegar a casa sem percalços.  

Mas a curiosidade sobrepôs-se ao bom senso e decidi comprar duas (faço aqui uma confidência: compro sempre 2 garrafas do mesmo vinho. A segunda permite-me confirmar o diagnóstico da primeira!). 

Decidi guardá-las para beber na noite de Natal. Se a coisa desse para o torto estava a 5 metros da cama … 

Partilhei essas garrafas com o meu cunhado e o meu sobrinho e o resultado foi uma surpresa: o vinho revelou-se equilibrado, fresco e sedoso, não encontrando os 17 graus. 

No que se refere aos tão temidos efeitos colaterais, também não nos pudemos queixar. Os estragos não foram superiores aos de Natais anteriores, com vinhos mais meigos. Todos conseguimos chegar e subir para a cama, dormir que nem uns anjos e levantarmo-nos no dia seguinte, bem dispostos, a perguntar se havia mais vinho do mesmo para o almoço. Infelizmente não havia.

Pois este fenómeno está no mercado como Bafarela 17 Grande Reserva 2008.

Há coisas na vida por que vale a pena correr riscos.

MF

Agosto | 2013

Monday, August 5, 2013

Haverá bom vinho no Ribatejo?

Catapereiro: bom vinho ribatejano, da Companhia das Lezírias

A questão pode parecer estranha, mas resulta das inúmeras dúvidas que o meu grupo de amigos costuma colocar quando sugiro o consumo de um vinho desta região de Portugal.

O próprio mercado parece também ter essa dúvida, uma vez que os espaços de consumo apresentam quase sempre imensa oferta de vinhos da região do Alentejo e do Douro, sendo a representação de vinhos do Ribatejo inexistente ou reduzida a uns poucos itens.

Para tornar as coisas ainda piores, caso se peça, num qualquer restaurante, uma sugestão sobre o vinho que aconselham, somos normalmente confrontados com a pergunta se preferimos vinhos do Alentejo ou do Douro, como se as restantes regiões nem sequer existissem.

Esta aparente desconfiança sobre a qualidade dos vinhos do Ribatejo, pode resultar de uma imagem de tempos idos, quando os vinhos desta região eram vendidos principalmente a granel e também de alguns casos célebres de falsificação ocorridos em décadas passadas, a que nenhum marketing regional conseguiu dar a volta.

Certo é que existem muito bons vinhos no Ribatejo, como o comprovam os inúmeros prémios ganhos por adegas desta região, assim como os resultados de alguns blind tests que mostram que muitos consumidores, quando desconhecem a origem do vinho, os valorizam.

Está neste leque de excelentes vinhos ribatejanos, o Catapereiro branco ou tinto, da Companhia das Lezírias.

Num próximo almoço com o meu grupo de amigos, entre os quais se encontra um dos mais acérrimos críticos do vinho ribatejano, faço questão de não dar a possibilidade de escolha, como é minha prática e apresentar apenas o Catapereiro como opção.

Tenho a certeza que as dúvidas sobre a qualidade dos vinhos ribatejanos irão desaparecer, sendo este o meu pequeno contributo para a melhoraria da imagem dos vinhos da minha Região.  

VL

Agosto | 2013

Saturday, August 3, 2013

Holminhos: vinho do Nordeste de Portugal



A surpresa que virou certeza

Já passaram alguns anos que, após uma experiência gastronómica no Carvalho de Chaves, para fazer o tempo necessário para entrar no carro, fomos visitar uma loja de produtos regionais.

No meio dos tentadores queijos e enchidos, o dono recomendou um vinho tinto local, o Holminhos, que eu desconhecia completamente.

Trouxe-o para experimentar e para oferecer ao meu filho. Passados uns dias ele ligou-me a dizer, que grande vinho, temos de comprar mais.

Desde então, quando o encontramos compramos para os dois e bebemos sempre com agrado.

Fomos alargando a experiência para o vinho branco e para o vinho rosé, sempre com vontade em continuar.

Hoje o vinho já recebeu prémios e até a Justa Nobre o recomenda no seu restaurante.

Só posso dizer que a surpresa se tornou uma certeza, pelo que recomendo que o experimentem e desfrutem do prazer da sua companhia.


RM

Agosto | 2013


Thursday, August 1, 2013

O meu ex-preconceito sobre o Vinho Rosé




Vinho Rosé: excelente opção para o verão



Até há poucos anos tinha um preconceito para com os vinhos rosé: achava que eram uma mistura de vinho tinto rasca e seven-up e que só era consumido por quem não percebia, nem gostava de vinho.

Ajudava a esse meu preconceito o facto de, historicamente, a oferta de rosé estar circunscrita a duas ou três marcas, as quais eram consumidas, sobretudo, por turistas e senhoras da alta sociedade. 

Há cerca de 5 – 6 anos fiz as minhas primeiras  incursões no mundo rosé. Contribuíram para esse passo 3 fatores :
  • A influência de um amigo que faz parte de uma das minhas tertúlias gastronómicas que me incentivava para experimentar;
  • Um incidente na minha saúde que me criou algumas contra-indicações ao consumo do vinho branco, surgindo o rosé como uma alternativa no calor do verão;
  • O surgimento de vinhos rosé produzidos em adegas reputadas na produção de vinhos maduros, aliado ao surgimento de informação sobre essa variedade, a qual me permitiu perceber o seu processo de fabrico.
Gradualmente a minha relação com essa variedade de vinho tem vindo a reforçar-se sendo hoje uma companhia agradável e regular nos meus almoços e jantares de verão.

Sou um consumidor e apreciador de vinhos e não um especialista de vinhos. Significa isto que não tenho competência para fazer a avaliação técnica de vinhos pelo que as minhas notas reflectem apenas a apreciação de um habitual e moderado consumidor de vinhos. Costumo dizer que, para mim, apreciar um vinho é equivalente a apreciar um quadro ou uma música. Não sei se são bons ou maus. Isso é avaliação dos especialistas na matéria (enólogos, musicólogos, críticos de arte, etc). Eu  apenas sei se gosto,  ou não gosto. E para mim essa apreciação decorre exclusivamente das emoções e sensações que o objecto em análise me desperta.   

Hoje em dia a maioria das adegas  portuguesas produzem excelentes vinhos rosé e vale a pena fazer esse roteiro e viver essa experiência. E a estação do ano em que estamos é ideal para isso. Se se atrasarem fica a sugestão para o próximo verão.

MF

Julho | 2013